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Está com Fome? O que deseja Comer?

Escrito por anerjadmin

Ao retirarmos de nossa volta aquilo que não é necessário para a nossa existência, restarão ainda as pessoas, além das águas, da luz do sol, do ar e dos alimentos. O ser humano, porém só existirá na relação com outras pessoas. A escassez ou abundância de alimentos determinou saltos na história da humanidade, ergueu e destruiu impérios. Nos dias atuais alcançar o patamar de uma simples mercadoria, considerada adorno ou objeto de menor importância.

Está com fome? O que deseja comer?

mpalogoEste é um exemplo de organização de grupos em torno das causas coletivas. Nesta relação com o modelo produtivista. Avaliar a lógica dessas relações e suas influências sobre nossas vidas, nos leva a considerar o nosso posicionamento diante da economia do país, das políticas públicas, relação empregado-empregador. Por isso, pensar em Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e ler sobre isso é o começo desse exercício.

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Ao retirarmos de nossa volta aquilo que não é necessário para a nossa existência, restarão ainda as pessoas, além das águas, da luz do sol, do ar e dos alimentos. O ser humano, porém só existirá na relação com outras pessoas. A escassez ou abundância de alimentos determinou saltos na história da humanidade, ergueu e destruiu impérios. Nos dias atuais alcançar o patamar de uma simples mercadoria, considerada adorno ou objeto de menor importância.

A humanidade pode organizar núcleos populacionais, fixar-se num território a partir do surgimento da agricultura. As revoluções agrícolas possibilitaram a expansão da produção de alimentos, possibilitando também o crescimento da espécie humana. Nesse sentido, o alimento adquire importância, pois determina grande parte de nosso nível de saúde, de disposição física e de capacidade intelectual. O alimento que ingerimos (ou que deveríamos ingerir) é responsável pelas substâncias necessárias ao nosso pleno desenvolvimento.

Na sociedade burguesa, capitalista, tudo é transformado em mercadoria, inclusive os alimentos. Ao invés de promover saúde e sanidade, o objetivo da produção e, principalmente, da circulação de alimentos, é o lucro. Por isso a existência de formol no leite, radiação nuclear nas frutas, conservantes, corantes artificiais, ou seja, insumos que aumentam o lucro das indústrias processadoras com consequências graves para a saúde da população, como diabetes, câncer, hipertensão e outros males.

Além dos ingredientes químicos adicionados ao produtos, outro problema grave é a padronização dos alimentos. Para aumenta os lucros são produzidos poucas opções de produtos, porém, em grandes quantidades. O resultado disso é que, das cercas de 50 mil espécies alimentares existentes atualmente, 200 são consideradas importantes. Dessas 200 espécies, 100 delas são comercializadas. No entanto 80% da alimentação tem origem em 20 espécies de cultivo, sendo o trigo, o arroz, o milho e a soja representam 85% do consumo de grãos (Guterres,2006). A cada 10 kg de alimentos consumidos por uma pessoa em uma semana, 8 kg vieram de 20 plantas e 6,8 kg vieram do trigo, do arroz e do milho e soja.

O segredo é processar o milho e transformá-lo em diferentes produtos. Ao chegarmos numa prateleira de biscoitos ficamos impressionados com a quantidade de opções, porém, não encontramos muito, além de soja, milho e aditivos químicos. Essa lógica é prejudicial aos camponeses que sofrem a imposição de um modelo tecnológico de super exploração e perdem autonomia na produção de consumo. É também prejudicial aos consumidores que ingerem diariamente pequenas doses de substâncias cancerígenas e causadoras de doenças crônicas degenerativas.

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Por isso, o movimento dos pequenos agricultores tem construindo um conjunto de ações para denunciar esta lógica perversa e chamar a atenção da sociedade. O alimento, portanto, precisa de ser considerado uma questão de soberania nacional, como um direito básico, como uma responsabilidade do Estado e não do mercado.

mpa_sementesA soberania alimentar pressupõe que os camponeses tenham autonomia para decidir o que produzir e como produzir, que tenham controle sobre suas sementes e raças de animais, que possam viver como produtores de alimentos essenciais à humanidade.  Também é necessário que os consumidores tenham acesso aos alimentos de qualidade e em quantidades necessárias às suas necessidades, decidindo o que e como consumir aquilo que produz e, sobretudo, que os alimentos ingeridos gerem saúde e sanidade.

Essa perspectiva só poderá ser alcançada através de um projeto político que organize a produção e o abastecimento de alimentos de outro modo. É necessário que o camponês como agente central da produção de alimentos e o desenvolvimento das comunidades rurais sejam fatores estratégicos para alavancar a produção de alimentos com qualidade. A este projeto político em construção, denominamos Plano Camponês.

Para além do projeto político, faz-se necessário o reconhecimento de forças políticas que o impulsione e, para isso, é necessário que os trabalhadores e trabalhadoras dos grandes centros, através de suas organizações, exerçam papel fundamental e decisivo para a superação desse modelo

Autor: Raul Krauser (Camponês, militante do movimento dos pequenos agricultores, Brasil)

Fonte: MPA Informa, Novembro de 2014

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